
O objetivo da Chilli Beans, que fabrica a maior parte dos seus óculos na China, é fechar 2012 com 35% da produtos feitos no Brasil. Foto: Divulgação
A rede Chilli Beans, há 15 anos no mercado, sempre produziu seus óculos escuros na China. Nos últimos anos, no entanto, tem procurado aumentar a fabricação no Brasil, fazendo o caminho inverso de muitos industriais, que terceirizam cada vez mais a produção para o país asiático. Até o final de 2012, estima Caito Maia, presidente da empresa, 35% da produção será nacional. “É meu dever, enquanto brasileiro ajudar a desenvolver as fábricas locais”, diz ele.
Maia diz que é um erro achar que os produtos da China são ruins. “A China oferece o que nenhum outro país hoje dá conta: produtos com qualidade, preço atraente e velocidade no prazo de entrega”, afirma. Por isso, ele garante que por pelo menos três anos não será vantajoso financeiramente apostar na produção local. “O que recebo em troca é a satisfação de fazer algo pelo Brasil. Funciona assim: a Chilli Beans vai oferecer volume às fábricas e, com isso, elas poderão oferecer preços melhores e se desenvolver”, explica.
O discurso engajado, no entanto, só é possível em virtude dos bons números da rede. Se comparado com 2010, o faturamento em 2011 aumentou 40%, chegando a R$ 350 milhões. O incremento foi possível graças ao aumento do número de unidades e ao fortalecimento de parcerias com estilistas e músicos para o lançamento de linhas de óculos assinados.
De acordo com Maia, a Chilli Beans é a líder no mercado de óculos escuros, com participação de 17%. Em seguida vêm Ray-Ban, com 10%, e Oakley, com 5%. “Vendemos um conceito, a ideia de que um óculo escuro é um acessório de moda”, afirma o presidente. Isso ajuda a desmistificar a ideia de que esse tipo de óculos serve apenas para o verão, o que acabaria por tornar o negócio sazonal. “Nossos franqueados lucram o ano inteiro. A cada semana, lançamos dez modelos diferentes – e eles custam 1/3 do preço daqueles vendidos por grifes famosas”, explica Maia.
Para Orlando Freitas, franqueado da marca, é exatamente a ideia de que a Chilli Beans vende desejo, e não apenas produtos, que a rede embute nos seus franqueados. “Não é à toa que hoje existe uma gama de produtos licenciados com a marca Chilli Beans. São chinelos, moda íntima, bicicletas, guitarras”, afirma. Freitas possui 29 unidades – todas no Nordeste -, incluindo uma concept store que comercializa os produtos licenciados ao lado dos tradicionais óculos escuros, relógios e armações para óculos de grau.
Segundo o franqueado, é essencial manter a equipe de colaboradores motivada. “É preciso contratar pessoas que gostem da marca, que entendam o espírito jovem embutido nos produtos e que tenham afinidades com o varejo”, afirma. Possui experiência no comércio é um item recomendado pela franqueadora, mas não obrigatório. Freitas, por exemplo, atuava na construção civil quando pediu demissão e, com o dinheiro recebido, abriu a sua primeira franquia, há sete anos, em Teresina.
A Chilli Beans está presente no Brasil inteiro e, aos poucos, indo cada vez mais para as cidades com 100 mil a 150 mil habitantes. “O aumento do poder aquisitivo e a carências de shoppings centers fazem com que essas cidades representem uma força consumidora enorme”, avalia Maia.
Hoje, porém, o maior desafio da rede é torna-se uma marca global, aponta o presidente. A Chilli Beans possui unidades em Portugal, Estados Unidos, Colômbia e Angola e fechou contrato recentemente com alguns países do Oriente Médio. “Na Califórnia, temos quatro lojas. A meta é fechar 2012 com 10″, conta.
Fonte: Portal Terra
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